
Para calcular o preço, estime o tempo de trabalho, some materiais e deslocamento, considere as despesas da operação e defina o resultado pretendido. Depois, confronte o valor com o escopo e o mercado. Copiar o preço de outro profissional sem conhecer seus próprios custos pode deixar despesas de fora.
O Sebrae orienta equilibrar custos, despesas e preço de mercado. A conta abaixo é uma simulação didática, não uma tabela de preços para sua região.
Chegue ao valor da hora e ao rateio
Exemplo didático: você pretende remunerar seu trabalho em R$ 3.600 por mês e estima 120 horas faturáveis. A referência para sua remuneração é R$ 3.600 ÷ 120 = R$ 30 por hora. Se o atendimento demanda seis horas no total, sua remuneração estimada nesse serviço é R$ 180.
As seis horas devem incluir o tempo que você atribuiu ao atendimento, como preparação e deslocamento. As 120 horas são uma estimativa de capacidade de venda, não todas as horas disponíveis no calendário. Compare com sua rotina e revise quando a ocupação mudar.
Suponha ainda R$ 400 de despesas fixas mensais, sem incluir sua remuneração, e uma previsão de 20 atendimentos semelhantes. O rateio simples é R$ 400 ÷ 20 = R$ 20 por atendimento. Se os serviços variam muito de duração, um rateio por horas pode representar melhor a operação. Não use simultaneamente os dois rateios para a mesma despesa.
No quadro abaixo, os R$ 30 de deslocamento são gasto de transporte, não outra cobrança pelo tempo de viagem. O tempo já entrou nas seis horas. Essa separação evita contar o mesmo custo duas vezes.
Monte uma base de custo do atendimento
Inclua preparação, execução e outras horas necessárias. Não trate todo o seu mês como tempo disponível para cobrar: deslocamentos, propostas e administração também ocupam a rotina.
| Componente fictício | Valor |
|---|---|
| Tempo de trabalho estimado | R$ 180 |
| Materiais | R$ 90 |
| Deslocamento | R$ 30 |
| Parcela das despesas fixas atribuída ao serviço | R$ 20 |
| Base de custo considerada | R$ 320 |
Neste exemplo, a remuneração pelo tempo já entra no custo. A parcela de despesas fixas precisa de um critério coerente com sua operação; não use R$ 20 como regra. Confira também gastos que não aparecem em cada compra, como ferramentas e estrutura.
Acréscimo de 20% não é margem de 20%
Se você acrescenta 20% a R$ 320, chega a R$ 384. A diferença é R$ 64, que representa aproximadamente 16,7% do preço de venda.
Para uma margem pretendida de 20% sobre a venda, sem outros gastos percentuais, a conta seria R$ 320 ÷ (1 − 0,20) = R$ 400. A diferença de R$ 80 representa 20% de R$ 400.
Se tributos e taxas incidirem sobre a venda e não estiverem incluídos na base, eles também precisam entrar na conta. Em uma simulação com 5% desses gastos e 20% de margem, seria R$ 320 ÷ (1 − 0,05 − 0,20), aproximadamente R$ 426,67. Os 5% são hipotéticos: use as condições reais da sua atividade e confirme o tratamento tributário com sua orientação contábil.
Confira o resultado depois de executar
Compare tempo e materiais previstos com os realizados. Se o serviço exigiu mais deslocamentos ou compras, registre a diferença e revise a próxima proposta. Não confunda dinheiro recebido com resultado depois dos gastos.
Conheça a organização de orçamentos no app
Como usar os custos no Feito de Mestre App
O app permite informar custos dos itens e consultar o resumo de margem. Esse resumo depende do que foi preenchido: custo ausente não significa custo zero, e despesas não incluídas não aparecem por mágica no resultado. Ele não substitui a apuração contábil do lucro do negócio.
Depois de conferir a conta, transforme o escopo em uma proposta compreensível. Use o modelo de orçamento de serviços para apresentar itens e condições ao cliente.